No final deste ano o INCRA do Rio Grande do Norte estava organizando a criação de entidades denominadas “ARCO’s – Agências Regionais de Comercialização”, com o objetivo de apoiar as iniciativas de geração de trabalho e renda nos assentamentos de reforma agrária. Essas organizações seriam dirigidas pelos assentados e havia recursos financeiros para seu estabelecimento e funcionamento inicial. Quando as lideranças dos assentamentos do Mato Grande procuraram o INCRA para fundar uma “ARCO Mato Grande”, foram comunicadas que tinham sido criadas duas ARCO’s no Rio Grande do Norte – uma em Mossoró e outra no Seridó – e que não havia mais recursos financeiros disponíveis para criar uma terceira.
As lideranças comunitárias, comandadas pela assentada e líder regional da reforma agrária, Sra. Livânia Frizon, entenderam que mesmo diante desta realidade era importante criar uma organização que articulasse os assentamentos do Mato Grande e, mesmo sem recurso, fundaram a ARCO do Território do Mato Grande em novembro de 2002. A partir de então as lideranças começaram a se preocupar com a adoção de projetos que gerassem renda e oportunidades de trabalho para os assentados, pois tinham esperanças que após o início do Governo Lula as possibilidades seriam ampliadas. A gestão da ARCO passou a ser feita por lideranças que atuaram no MST durante a luta pela terra, tendo como presidente a Sra. Livânia Frizon, assentada na agrovila Canudos do assentamento Rosário, município de Ceará-Mirim.
O sentimento que predominava entre essas lideranças era a perspectiva de produção na reforma agrária. Na verdade o que tinha sido feito até então tinha sido a luta pela terra, pois a produção não tinha sido fomentada. As lideranças costumavam dizer que faltava a “terceira perna” da reforma agrária: produzir e, no consenso dos mesmos, uma causa determinante para esta falta de produção era a desarticulação muito grande da parte dos assentados. Nesse contexto, o primeiro passo seria criar uma organização que fizesse a articulação entre as várias associações comunitárias dos assentamentos, unificando suas demandas e mecanismos de luta para incrementar a produção agropecuária.
A partir de 2003 a ARCO iniciou um processo de organização social interna nas comunidades e uma articulação externa com instituições governamentais e privadas. O objetivo central era a busca de parcerias para implementar projetos de geração de renda e oportunidades de trabalho para os moradores dos assentamentos de reforma agrária da região. Nesses seis primeiros anos de existência a ARCO pode destacar com seus principais feitos a construção deste processo de organização política e social entre os vários assentamentos dos municípios do Mato Grande e a articulação de uma ampla parceria institucional. Nesse contexto foi possível implantar vários projetos produtivos, alguns com destaque nacional como exemplo de viabilidade da reforma agrária brasileira.